Avenida Barão do Rio Branco

Extensão: 1.400 metros
Bairro: Centro
Decreto 10/1943


Apesar de já ter nascido como avenida, com pista mais larga e até mesmo canteiro central, em outras épocas, por algum tempo nossa Avenida mais importante e central não foi a principal artéria de comércio e de deslocamentos de Caçador. Nos primórdios do Município a única ligação entre o distrito de Rio Caçador e a vila Santelmo era a ponte coberta de madeira, no mesmo local onde existe até hoje. Isto fez com que a principal rota de comércio e de deslocamentos fosse a compreendida entre o Largo Santelmo e a Rua José Boiteux.

A avenida iniciava-se junto à margem do Rio do Peixe, não havendo a continuidade através da ponte, que só seria construída em 1960. Nesta época, contava com cerca de 1.150 metros de extensão. Chegou a ser conhecida por seu antigo nome, antes da instalação do município, Coronel Fagundes. Com a instalação do município, recebeu o nome da data da fundação da cidade – “Avenida 25 de Março”, “transferindo” o nome de Coronel Fagundes para a atual Rua Reinaldo Maffessoni.  E, finalmente, através do decreto nº 10 de 6 de setembro de 1943, do então prefeito Manoel Siqueira Bello, foi rebatizada oficialmente como Avenida Barão do Rio Branco.

No desfile de 7 de setembro deste ano de 1943, como costumava acontecer, o palanque foi montado na esquina das ruas “15 de Novembro e 25 de Março” (atualmente na esquina da Rua Carlos Sperança e Avenida Barão do Rio Branco). Durante o desfile, foi oficialmente alterado o nome da então rua 25 de Março, com a leitura do Decreto expedido e grande aclamação popular.

Não é demais lembrar que vivia-se em plena vigência do Estado Novo de Getúlio Vargas, com o fechamento das Câmaras Municipais. Desta forma, o dispositivo legal foi um Decreto expedido pelo prefeito Manoel Siqueira Bello e não uma lei, já que não havia Poder Legislativo.


Com a criação do “prolongamento” da Avenida (mais tarde renomeado de Avenida Fahdo Thomé), a Avenida Barão do Rio Branco chegou a ter mais de 4.100 metros de extensão.


José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco, (20/04/1845 – 10/02/1912) foi um advogado, diplomata, geógrafo e historiador brasileiro.

É considerado o patrono da diplomacia brasileira, devido aos seus relevantes trabalhos, especialmente nas questões de fronteiras do Brasil, em processos de arbitramento ou de negociações bilaterais, dos quais se destacam três questões de fronteiras, Amapá, Acre e Palmas. Esta última é a que mais aproxima o Barão do Rio Branco da história de nossa região.

Nesta questão, antes ainda da Guerra do Contestado, um litígio que teve como pano de fundo uma disputa de fronteiras, mas entre estados brasileiros, teve lugar nesta região uma disputa territorial entre a Argentina e o Brasil.

As desavenças iniciaram-se desde o período imperial, tendo sido um acordo sobre a questão o último ato internacional assinado por D. Pedro II antes de sua deposição. Já no período republicano, entre 1893 e 1895, Rio Branco atuou como advogado na questão dos limites entre Argentina e Brasil junto ao arbítrio internacional exercido pelo então presidente norte-americano Grover Cleveland, que deu total ganho de causa ao Brasil.

Os problemas diplomáticos continuaram e se aprofundaram no período republicano, levando o Barão do Rio Branco a assumir o papel de líder da diplomacia brasileira, em 1902. Manteria este cargo (Ministro das Relações Exteriores) até sua morte em 1912, passando por quatro presidentes da república, o que o transformou em unanimidade nacional.

Monarquista convicto, mesmo após a instalação da república ele continuava assinando-se “Barão do Rio Branco”, título recebido no final do período monárquico.

Como curiosidade, o Barão do Rio Branco teve sua efígie impressa nas notas de 5 mil réis de 1913 e 1924, Cr$ 5 (cinco cruzeiros) de 1950, nas de Cr$ 1.000,00 (mil cruzeiros) de 1978. Esta última gerou na cultura popular brasileira a expressão “barão” como sinônimo de “mil”. Até hoje, a quantia de mil reais é designada popularmente como "um barão".